Nota sobre a ocupação da Usina Cambahyba pelo MST

Posted on 06/11/2012

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Federação Anarquista do Rio de Janeiro

“Já se organizaram em coletivos? Não esperem mais. Ocupem as terras! Organizem-se de

forma que não haja chefes nem parasitas entre vocês. Se não o fizerem, é inútil que

continuemos avançando. Precisamos criar um mundo novo, diferente do que estamos

destruindo.” (Buenaventura Durruti)

Duzentas famílias ocuparam na madrugada da sexta-feira a Usina Cambahyba, localizada em Campo dos Goycatazes, norte fluminense. A usina é de propriedade da família do ex-vice governador do estado, Heli Ribeiro. A ocupação da Cambahyba é um importante símbolo da luta dos trabalhadores e o processo de desapropriação ainda está em andamento na 2ª vara federal. Hoje ela está ocupada para servir a agricultura camponesa e atender a reforma agrária popular, já que a reforma agrária tocada pelo governo Lula-Dilma não tem mudado a estrutura fundiária do país.

A Usina foi um local onde a elite rural de Campos trocava alianças, nos casamentos com os militares assassinos de militantes da esquerda. Nas terras da família de Heli Ribeiro Gomes os fornos de fabricação de açúcar eram emprestados para o delegado Cláudio Guerra incinerar os corpos dos militantes mortos pelo regime militar. Hoje, os trabalhadores organizados no MST honram a memória daqueles/as que caíram nas mãos da ditadura civil-militar de 1964.

A importância da luta no campo e particularmente do MST é fundamental num contexto em que os mega-empreendimentos (urbanos e rurais) passam como um rolo compressor sobre as necessidades dos trabalhadores do campo e da cidade e das comunidades tradicionais (indígenas, quilombolas, etc.). Megaempreendimentos motivados pelo plano IIRSA (Iniciativa de Integração Regional da América Latina), que tem como objetivo o saque sistemático de recursos por iniciativas como os megaeventos, os megaportos e as hidrelétricas, em detrimento dos anseios populares.

Por isso, a ocupação dessa usina reafirma o sentido da luta e da ação direta popular, a defesa da reforma agrária contra o latifúndio e contra as monoculturas extensivas promovidas pelo agronegócio. Acreditamos que é pela luta e organização de base que podemos conquistar a gestão coletiva da terra e da produção agrícola. Para isto, é preciso ocupar, resistir e produzir, fortalecendo os movimentos sociais do campo. Ocupar terras para viver e produzir é um direito e uma necessidade, resolvendo as reais demandas materiais e culturais da população. Por meio da organização pela base, são importantes as iniciativas como cooperativas de produção, organizadas de maneira direta pelos próprios produtores, tais como as que o MST tem organizado recentemente nos assentamentos do estado.

Jamais podemos perder o horizonte estratégico de criação do poder popular, que envolve o controle direto da terra pelos trabalhadores e portanto, o fim generalizado da propriedade privada.

Nossa contribuição como anarquistas é prosseguir na medida de nossas forças, organizados nos movimentos sociais do campo e da cidade, incentivando a organização, o protagonismo popular, a solidariedade entre os trabalhadores do campo e da cidade e a produção coletiva para gerar a autonomia da luta.

 

ORGANIZAR! LUTAR!

JAMAIS SE ENTREGAR!

PELO PODER POPULAR

 

Vejam fotos e vídeos no site do MST –RJ http://mstrio.casadomato.org/mst-ocupa-parque-industrial-da-usina-cambahyba-em-campos-dos-goytacazes/

Outros textos:

Eltom Brum Vive! Continuar a luta dos pobres do campo! – FAG http://vermelhoenegro.org/blog/2012/08/22/eltom-brum-vive-continuar-a-luta-dos-pobres-do-campo/

Programa de Lutas para Construir um Povo Forte no Próximo Período  – CAB http://www.anarkismo.net/article/23096

Veneno no Prato do Povo – FARJ (Libera #152) https://anarquismorj.files.wordpress.com/2012/02/libera_152.pdf