Primeiro Congresso da FARJ e Cinco Anos de Luta

PRIMEIRO CONGRESSO DA FARJ E CINCO ANOS DE LUTA
Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)

Em 30 e 31 de agosto, a FARJ realizou seu Primeiro Congresso, juntamente com seu aniversário de 5 anos. O principal objetivo do Congresso foi aprofundar nossas reflexões sobre a questão da organização e formalizá-las em um programa que em breve estará publicado na íntegra na internet e também em livro.

Tivemos um grande trabalho de discussões prévias e baseamos esta nossa linha política completamente na prática que desenvolvemos nestes 5 anos. Portanto, este é o resultado de muita interação entre teoria e prática, já que estamos de acordo que “para teorizar com eficácia é imprescindível atuar”.

Dentre os principais pontos que constam no programa, podemos destacar:

– A definição do anarquismo como ideologia, sendo que ela exige a interpretação da realidade em que se vive, a formulação de objetivos finalistas e um prognóstico, mais ou menos aproximado, sobre a transformação desta realidade. Assim, o anarquismo busca necessariamente a transformação social do sistema baseado no capitalismo e no Estado, rumo aos objetivos finalistas de revolução social e socialismo libertário. Difere-se, assim, de idéias e valores abstratos com caráter puramente reflexivo.

– A afirmação do anarquismo social como defesa deste sentido ideológico do anarquismo, que possui raízes históricas na luta de classes e nos movimentos sociais. Desta forma, o anarquismo social opõe-se a um anarquismo que renunciou a transformação social e que se pretende somente um estilo de vida.

– A priorização dos espaços em que a luta de classe é mais evidente para atuação dos anarquistas. Assim, a reivindicação do conjunto de classes exploradas como sujeito revolucionário, da maneira ampla que definimos, a partir das relações centro-periferia.

– A afirmação de uma transformação social “da periferia para o centro”, fora do Estado, das posições de direção, dos partidos autoritários, dos exércitos regulares, ou seja, de baixo para cima, buscando construir e desenvolver movimentos sociais e a organização popular.

– A reivindicação do anarquismo histórico do Brasil do início do século XX, principalmente da corrente “organizacionista”, que esteve em torno da Aliança Anarquista do Rio de Janeiro de 1918 e do Partido Comunista (libertário) de 1919.

– A compreensão da crise do anarquismo no Brasil ser decorrente de um contexto de conjuntura, mas também um contexto do próprio anarquismo, que perdeu seu vetor social, entre outras coisas, por não ter condições de desenvolver organizações anarquistas separadas dos sindicatos, constituindo níveis político e social separados.

– A reivindicação de uma origem militante que vem desde Juan Perez, passando por Ideal Peres, pelo Círculo de Estudos Libertários (CEL), Círculo de Estudos Libertários Ideal Peres (CELIP), e que culmina na fundação da FARJ em 2003.

– A compreensão do capitalismo e do Estado como pilares da sociedade de dominação e exploração em que vivemos, e, portanto, constituindo os principais “inimigos” a serem combatidos.

– O estabelecimento da revolução social e do socialismo libertário como objetivos finalistas de longo prazo.

– O reconhecimento da necessidade da utilização de violência neste processo de transformação social.

– A reivindicação da absoluta necessidade de organização, que torna possível aumentar a força social da organização das classes exploradas e oferecer uma ameaça real ao capitalismo e ao Estado.

– A convicção que para a organização das classes exploradas e o constante aumento de força social desejado, é necessária a organização popular, sendo ela o resultado de um processo de convergência de diversas organizações sociais e diferentes movimentos populares, que são fruto da luta de classes.

– O entendimento que a construção da organização popular é feita por meio da criação e do desenvolvimento dos mais diversos movimentos sociais com determinadas características específicas: força (não-ideologizados), classismo, autonomia, combatividade, ação direta, democracia direta e perspectiva revolucionária. Quanto mais os movimentos sociais tiverem estas características e quanto mais estiverem unidos, na busca da construção da organização popular, maiores serão as chances de realizarmos a revolução social e substituirmos o capitalismo e o Estado pelo socialismo libertário.

– A afirmação da necessidade da organização específica anarquista neste processo de transformação social, desenvolvendo suas atividades: trabalho e inserção social, produção e reprodução de teoria, propaganda anarquista, formação política, concepção e aplicação de estratégia, relações políticas e sociais, gestão de recursos.

– A compreensão de que, isolados, os anarquistas não conseguem exercer a influência desejada nos movimentos sociais e que, por isso, para o trabalho e a inserção social, é fundamental que estejam organizados especificamente como anarquistas.

– O reforço dos princípios definidos desde nossa fundação: liberdade; ética e valores; federalismo; internacionalismo; autogestão; ação direta; classismo; prática política e inserção social; apoio mútuo.

– A preferência pela divisão interna em frentes (agrupamentos internos que levam a cabo o trabalho social) que são dinâmicas e que dão conta da divisão interna da organização específica anarquista, para a realização prática dos trabalhos sociais, da melhor maneira possível.

– A escolha da utilização da lógica dos “círculos concêntricos”. Com eles, há diferentes instâncias de atuação na organização anarquista, que têm por objetivo proporcionar um lugar claro para cada um dos militantes e apoiadores da organização. Para a realização do trabalho social, os círculos concêntricos buscam facilitar e potencializar o trabalho da organização anarquista; e finalmente, estabelecer um fluxo para a captação de novos militantes.

– A escolha para a forma de tomada de decisões da tentativa de consenso, utilizando a votação quando o consenso não for possível. No caso de votação, todos os militantes da organização, mesmo aqueles que forem voto vencido, têm obrigação de seguir a posição que venceu.

– A afirmação que comprometimento, responsabilidade e autodisciplina são imprescindíveis para o bom funcionamento da organização específica anarquista.

– O reconhecimento de que a principal atividade da organização anarquista é o trabalho social, atividade que a organização anarquista realiza em meio à luta de classes, fazendo o anarquismo interagir com as classes exploradas. O objetivo, primeiramente, é a busca de inserção social, o processo de influência dos movimentos sociais a partir da prática anarquista. Depois, o objetivo é retomar o vetor social do anarquismo.

– O entendimento da necessidade de produção e reprodução de teoria, sendo ela responsável para auxílio na propaganda e para permitir a concepção e a aplicação de estratégia. Esta teoria deve estar completamente ancorada na prática.

– A reivindicação da unidade teórica e ideológica, que tem por objetivo determinar uma linha política (teórica e ideológica) clara que deve nortear todas as atividades e ações da organização.

– O entendimento da necessidade de realizar propaganda anarquista utilizando todos os meios que estiverem ao seu alcance e dando prioridade à propaganda realizada no processo de trabalho/inserção social.

– A afirmação da necessidade de separar o nível político (da organização específica anarquista) do nível social (dos movimentos sociais, etc.) e de entendermos um nível como complementar ao outro.

– A definição da organização do nível político como minoria ativa, e não vanguarda. A vanguarda busca estabelecer hierarquia e domínio do nível político para o social. A minoria ativa não; ele é ética, pois não busca posições de privilégio, não impõe sua vontade, não domina, não engana, não aliena, não se julga superior, não luta pelos movimentos sociais ou à frente deles. Luta com os movimentos sociais, não avançando nem um passo sequer além do que eles pretendem dar.

– A reivindicação da necessidade de atuação com estratégia, tática e programa que dão à organização uma forma de atuação planejada por meio da qual é possível conseguir os melhores resultados.

– A reivindicação da unidade estratégica e tática, que tem por objetivo determinar uma linha estratégica-tática faz com que todos caminhem no mesmo sentido.

– A defesa do especifismo como forma de organização anarquista, sendo sua influência entendida de maneira ampla dentro do anarquismo clássico e das diversas experiências práticas, mas cuja base organizacional fundamental está em Bakunin e Malatesta.

Ética, Compromisso, Liberdade!

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