O avanço conservador e o papel do estado

Vivemos num período de grandes ataques aos trabalhadores e trabalhadoras. ataques que vêm principalmente do estado contra os direitos sociais. a crise econômica é paga apenas pelos de “baixo”, enquanto isso, bancos continuam a bater recordes de lucro e os empresários (burguesia) seguem com suas vidas confortáveis. os empresários e políticos não pegam ônibus lotado, não encaram filas nos hospitais, não lutam para entrar na universidade pública e, tampouco, tem de se “virar” para conseguir sobreviver com um salário que cada vez compra menos. com mais um governo do partido dos trabalhadores (pt) e uma crise política, o povo se pergunta: o que deu errado? porque nossa vida não melhorou?

O PT nasceu de uma fração organizada do povo, um partido que surgiu no meio dos movimentos populares com a ideia de eleger parlamentares com uma base social e fazer as mudanças acontecerem pelas eleições a partir de uma base de movimentos que pressionariam por reformas em direção a tomada do Estado. O que aconteceu com o PT foi o que acontece com todas as organizações que optam em disputar as eleições e entrar no aparato estatal. Além dos exemplos históricos, temos o caso recente do governo grego, da esquerda reformista do Syriza, que logo que assumiu o poder fez acordos com o capitalismo financeiro internacional. No Brasil, em pouco tempo, o PT tornou-se  nada mais do que um gerente do capitalismo. Nós anarquistas não avaliamos como uma “traição”, mas como parte de um projeto consciente e planejado, que teve apoio de diversos movimentos populares do campo e da cidade, de sindicatos, para promover seu projeto de poder: a construção de um pacto governista, de uma aliança de classe.

O efeito colateral da ascensão do PT foi a desmobilização das organizações da classe trabalhadora. Os sindicatos passaram a ser correias de transmissão da burocracia petista e os movimentos populares passaram a ser “base de apoio” do governo. A velha direita segue com grande liberdade para aprovar suas medidas mais reacionárias (alguma delas aprovadas pelo PT), pois não encontra resistência nessas bases, agora desmobilizadas pelo petismo.

A lei anti-terrorismo no Brasil é um ataque à classe trabalhadora

O projeto de lei anti-terror foi proposto pelo ministro da justiça Eduardo Cardozo (PT). Essa lei faz parte de convenções internacionais onde o Estado Brasileiro é pressionado pelas potências imperialistas e capitalistas a reprimir qualquer tipo de mobilização e contestação social. É uma lei tenebrosa que pode transformar qualquer ativista e militante num potencial “terrorista” e prendê-lo de 12 a 30 anos. Essa lei é uma resposta repressiva do Estado aos protestos ocorridos em junho de 2013 e tem como objetivo combater e ameaçar qualquer forma de protesto social. Ela fortalece o Estado como órgão que detém o monopólio da violência e que existe para garantir a dominação da burguesia sobre os trabalhadores. Não vamos esquecer que ainda temos militantes sendo processados pelo Estado brasileiro. Não vamos esquecer o caso de Rafael Braga, trabalhador negro condenado a 8 anos por portar uma garrafa de Pinho Sol. Sempre que há massificação do protesto ou acirramento da luta de classes num determinado momento, o Estado, organismo político das classes dominantes, responderá com a alteração das leis vigentes num momento posterior, mantendo assim a ordem capitalista e burguesa.

Romper com o governismo: construir uma saída independente, abaixo e à esquerda

É hora de rompermos com as ilusões. A classe trabalhadora precisa reinventar seu caminho, fora da agenda eleitoral, fora do Estado. O Estado é um instrumento político do capitalismo, da burguesia, que estabelece sobre o povo uma dominação, que, além de sustentar o capitalismo, aliena os indivíduos da verdadeira participação política.

O Estado não está aberto a disputas pelos de baixo. A crise política de agora não é uma crise entre os de baixo e os de cima, mas sim, entre velhas e novas oligarquias que divergem sobre o modelo da exploração. Há uma falsa polarização entre PT e PSDB que cada vez mais está fora da realidade. Existe um imaginário onde o Partido dos Trabalhadores se apresenta ainda como organização da classe trabalhadora. Mas ele nuca foi. O governo do PT não está em disputa, o Estado tampouco. É o governo do PT, com a participação do PC do B e do PMDB, quem encabeça a coalização conservadora que ataca os direitos da classe trabalhadora, como o processo de precarização das relações de trabalho no Brasil, as mudanças na legislação que criminalizam o protesto, a pobreza e que alteram a forma de demarcação de terras indígenas e quilombolas.

Vivemos em uma etapa de necessidade de construção da resistência na luta de classes no Brasil e é necessário entendermos nosso momento histórico e o papel que as organizações revolucionárias devem cumprir para o acirramento da luta da classe oprimida. É hora de construirmos e consolidarmos os movimentos sociais de base, independentes e combativos. Movimentos populares que trabalhem para resolver as necessidades junto com o povo e acumulem para um projeto de transformação radical. Isso só pode ser feito com um enraizamento real na classe trabalhadora. Parte da esquerda reformista ainda segue a tática do PT de eleger deputados, participar de eleições… É a tragédia do PT, pintada com outras cores “amarelas” e “vermelhas”. Parte dos lutadores e lutadoras de 2013 ainda se iludem também com uma revolução “espontânea” que virá supostamente por si mesma e com estruturas frágeis de organização que se desintegram ao menor contato com a realidade. Nós não podemos mais ter essas ilusões.

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