Contra a farsa eleitoral e o golpe nos direitos

Texto distribuído como Opinião Anarquista. Pode ser baixado aqui.

O desfecho do golpe entre os poderosos que depôs Dilma Rousseff, marca o fim do chamado ciclo “neo-desenvolvimentista”, comandado pelo PT. A crise e a instabilidade política no andar de cima, junto às disputas de poder e aos interesses do capital nacional e internacional, criaram um momento extremamente oportuno para um golpe político, jurídico e midiático em cima do PT por parte da elite brasileira, capacho dos interesses do mercado internacional.

O PT governou com a aliança de setores oligárquicos da direita entrou na vala comum dos conchavos, lobbies, propinas, caixa dois. Fez uma política econômica que beneficiou o sistema financeiro e dos grandes capitais e atendeu com programas sociais os mais pobres. No entanto, deixou intactas as estruturas de concentração da riqueza e do poder, além de ter destinado boa parte dos orçamentos para o pagamento da dívida pública.

No governo petista a reforma agrá- ria praticamente parou (governo Dilma foi o que menos assentou desde FHC) e o agronegócio impôs seu modelo mortal aos povos indígenas. Ou seja, os chamados “avanços” tiveram um preço alto para o país, em que a barriga dos poderosos ficou mais cheia ainda.

O resultado da engenharia de poder montada pelo PT foi um golpe parlamentar que se criou nas oportunidades que o PT deu à direita oportunista. É fundamental não esquecer que o o ajuste (que chamamos de golpe nos direitos) começou a ser implementado ainda dentro do governo petista.

O ajuste fiscal iniciado pelo PT/PMDB agora é aprofundado pelo PMDB/PSDB.O governo Temer já afirmou que “tudo que for possível será privatizado” e o que vem pela frente é uma nova onda de agressões aos direitos da classe trabalhadora. No nosso estado, o povo está pagando a conta das Olimpíadas e das isenções milionárias dadas a empresas pelo governo do PMDB, aliado histórico do PT/PCdoB no Estado. A população negra e as favelas sofrem com a política racista e genocida das UPP’s e a educação e saúde estão totalmente precarizadas.

Os 14 anos de hegemonia do projeto democrático-popular chegam à sua saturação final. Esse foi o “triste fim do governismo”, dos acordos com Kátia Abreu, Sarney e o que há de pior na política nacional. Deslocado do aparato estatal, os quadros petistas trazem aos movimentos a ilusão de que o golpe operado pelos setores reacionários não tem nenhuma relação com as práticas deformadas com que o PT se enroscou. Preparam assim, a tentativa de antecipar as eleições de 2018 para formular um novo pacto social com a burguesia e que novamente pretendem utilizar os movimentos e sindicatos, como escada para o mesmo projeto político viciado.

Entendemos que nossa tarefa na atual conjuntura deve ser resistir ao ataque aos direitos e denunciar de todas as formas possíveis a farsa eleitoral, que não oferece solução para a atual crise. Nesse jogo de cartas marcadas das eleições não existe uma opção que protege nossos direitos.

Nossa opção só pode ser romper com a prática de atrelamento dos movimentos sociais e sindicatos à burocracia, a agenda eleitoral e ao parlamentarismo e combater a política dos poderosos com o envolvimento e a ação direta coletiva. Resgatar as práticas e a cultura combativa de democracia direta e de base, para desde já construirmos poder popular!

A hora é de reafirmar a independência de classe dos trabalhadores contra o ajuste econômico; é hora de se opor ao sistema corrupto de representação da política burguesa, com a democracia de base das organizações populares; é hora de generalizer a luta pelas ruas, greves e ocupações fora dos controles burocráticos e dos cálculos eleitoreiros.

Por isso, convidamos todas e todos a construírem uma outra forma de fazer política. Uma política que rejeita a farsa eleitoral e que construa o poder do povo fora das urnas, a partir de sua organização nos bairros, nos assentamentos, nas escolas e nos locais de trabalho.

Contra a farsa eleitoral e o corte de direitos.
Só a luta popular decide!

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: