Conferências Sindicais Internacionais

Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)


Organizações libertárias de todas as partes do mundo reuniram-se nos dias 27, 28, 29 e 30 de abril, em Paris, França em um grande meeting internacional organizado pela CNT francesa que teve seu desfecho em uma bela manifestação no dia 1º maio, e contou com a participação de companheiros e organizações de diversos países.

O encontro visava discutir e trocar experiências das mais variadas lutas em que os libertários se envolvem. A conferência fomentou a discussão de temas relevantes para os grupos envolvidos e possibilitou o fortalecimento de vínculos de solidariedade e apontou para a articulação de ações conjuntas mais organizadas.

O encontro foi dividido em mesas de trabalho, onde temas comuns eram discutidos simultaneamente entre seus participantes. Assuntos como Precariedade do Trabalho, Educação, América e Chiapas fizeram parte da programação do evento, este último tema emocionou muitos de seus participantes pelo impressionante relato dos(as) delegados(as) dos grupos mexicanos.

A Federação Anarquista do Rio de Janeiro também participou do evento, apresentando os trabalhos com as quais estamos envolvidos, basicamente as ocupações urbanas com ênfase na questão da propriedade privada e na luta autônoma, os trabalhos do Centro de Cultura Social e os projetos de ecologia e pedagogia que este abriga e o resgate da memória operária no Rio de Janeiro.

Algumas impressões realmente nos surpreenderam, como a luta dos sindicalistas dos países africanos como Mali, que apesar da pouca tradição libertária nos fornece relatos interessantes. Segundo um companheiro sindicalista presente, se um sindicato apoiasse um partido político em Mali, os sindicalistas o abandonariam em massa! Ah se seguíssemos o mesmo exemplo… Ia ter muito sindicalista de carreira desempregado aqui no Brasil…

Outra situação que merece comentário é a preocupante conjuntura dos sindicalistas colombianos. Para se ter idéia, de 10 sindicalistas assassinados em todo o mundo, mais da metade morrem na Colômbia! É o país com maior perigo para a atividade sindical! Situações distintas, porém não menos preocupantes como na Palestina, Turquia e Sibéria foram relatadas aos participantes.

Aliás, dos delegados palestinos, apenas um conseguiu chegar ao congresso, já que o aeroporto é controlado pelo governo israelense que, além de proibir a viagem dos palestinos, os submete a um processo vexatório e humilhante nas triagens para os vôos. Na Turquia a greve é proibida por lei (!!!) e os companheiros turcos têm de desenvolver novas táticas de enfrentamento contra o capital e o Estado. Os companheiros da Sibéria falaram sobre o longo processo de intimidação antes da viagem ao congresso a que foram submetidos pela “tcheca” russa. Parece que o governo de Putin ainda mantém viva a verve autoritária dos tempos de Stálin.

Na Suécia, há uma luta muito grande contra a ofensiva neoliberal, assim como na Alemanha, Itália e França. Na Suécia, mudanças nas leis de educação transformam o professor num agente de controle do Estado dentro da sala de aula, o que fomentou uma grande articulação dos professores contra estas propostas. A flexibilização das leis trabalhistas e a atuação criminosa das multinacionais sobre os recursos dos países periféricos não foram esquecidas, onde após a reunião confederal do dia 30 apontou-se para a criação de uma coordenação anticapitalista de estrutura internacional.

Na reunião dos grupos libertários latino-americanos, que em sua grande maioria trabalham em outros âmbitos além do campo sindical, foram discutidos problemas comuns e uma carta final foi redigida com propostas que vão desde a denúncia da atuação criminosa dos governos do Brasil (que lidera a invasão criminosa), Bolívia, Chile e Argentina no Haiti, a questões que envolvem os governos subservientes de esquerda que desmobilizam a classe trabalhadora.

O curto tempo do evento não contemplou toda a disposição e interesse das delegações em aprofundarem o debate e a troca de experiências dos grupos participantes, mas sem dúvida plantou novas perspectivas sob o horizonte libertário! O evento encheu de esperança os presentes! O coral libertário de Vigo animou o fim do evento e a passeata do 1º de maio mostrou que as idéias e as práticas libertárias ainda mantêm acesa a chama da rebeldia!

Solidariedade e Luta Internacional!!!

Globalizemos a rebeldia!!!

 

 

2007

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