Apesar de Lula, em Favor da Luta… Triunfa a ANISTIA!!!

Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)

Os trabalhadores da Petrobrás podem comemorar mais uma vitória conquistada na luta. No mês de fevereiro, listas divulgadas através do Diário Oficial trouxeram os nomes de companheiros demitidos, desde 1994, por participação em greves e movimentos reivindicatórios. Estas listas, que passaram pela comissão interministerial criada para dialogar com a Federação Única dos Petroleiros e sindicatos petroleiros, traduzem na prática o resultado concreto de uma campanha que vinha, no decorrer dos últimos anos, crescendo e ganhando legitimidade ao reivindicar a reintegração dos trabalhadores demitidos e perseguidos.

Tal movimento possuía razão incontestável e apresentava um vigor poucas vezes assistido em organizações dessa natureza. Independente de siglas partidárias, muitas vezes apesar delas, o movimento pela ANISTIA cresceu e ganhou notoriedade nas bases petroleiras e em atos promovidos pela categoria em todo o Brasil. Assim, pela importância desta organização, acreditamos ser fundamental uma pequena retrospectiva do vitorioso movimento da ANISTIA e da necessidade de sua continuidade.

Para não recuarmos em demasia no tempo, falaremos sobre os eventos acontecidos apenas na última década. Neste período uma grande quantidade de trabalhadores foi punida ou demitida pelos governos Collor e FHC. Na Petrobrás foram mais de 11.000 punidos. Com a chegada de Lula à presidência da República e de José Eduardo Dutra à presidência da Petrobrás, os petroleiros, a despeito das previsões otimistas dos social-democratas e militantes sinceramente socialistas, viram as coisas ainda piores. Os trabalhos do Comitê dos Punidos Políticos da Petrobrás, em Brasília, sustentado pelo Fundo de Greve do Sindipetro AL/SE, foram ainda mais prejudicados pela entrada em cena do Partido dos Trabalhadores. A lei de ANISTIA, que tinha autoria do atual presidente da Petrobrás, perdeu seu titular que, uma vez tomada à posse do cargo, tornou-se insensível ao seu próprio projeto.

Assim, a chegada de Lula ao poder atrasou a ANISTIA dos petroleiros demitidos em mais de um ano. O PT, que deveria adiantar o expediente político que entravava a aplicação da ANISTIA, muito ao contrário, deslocou o parlamentar responsável pelo projeto para tornar, este, seu maior obstrutor. Ironia do destino, ou simples conseqüência da estratégia dos partidos de esquerda para chegar ao poder?

Vejamos:

Em 1994, foi imposta através da greve uma ANISTIA ao governo Itamar e, como conseqüência dessa ação, muitos demitidos em anos anteriores retornaram à empresa, com alguns direitos prejudicados. No mesmo ano, de 1994, e em 1995, duas outras greves ocasionariam mais demissões e mais “listas negras”, retirando de seus postos de trabalho profissionais capazes e conscientes; situação que promoveu uma grande desmobilização no meio petroleiro e explicitou, ainda mais, o grau de burocratização pelo qual vinha passando a Central Única dos Trabalhadores. Durante os 10 anos que nos separam destas demissões, os membros do movimento pela ANISTIA foram incansáveis nas suas manifestações, negociações e manutenção de relações com as bases. Tal atitude foi a grande responsável pelo sucesso obtido recentemente com o retorno dos companheiros de Minas Gerais e Bahia, da greve de 1994, e, após 9 anos, dos demitidos da greve de 1995.

Acreditam os anarquistas que a luta pela ANISTIA e seus resultados concretos, frutos do empenho e combatividade da categoria petroleira, são a expressão nítida da possibilidade de se alcançar resultados positivos no caminho da Revolução Social, prescindindo de partidos políticos, lideranças autoritárias e métodos sindicais burocráticos. A participação dos anarquistas, em particular nos últimos dois anos, organizando acampamentos e atuando nas várias iniciativas do movimento da ANISTIA, foi coroada de êxito e comprovou, a partir dos resultados práticos, a eficiência da Ação Direta no movimento operário. Sem intermediários e buscando sempre as alternativas mais radicais, os libertários, em colaboração com os demais companheiros de luta, provaram que o futuro do movimento operário revolucionário depende única e exclusivamente da autonomia deste em relação a governos, patrões e vanguardas pseudo-iluminadas.

Saúde e Anarquia!!!

A FARJ agradece o gesto de solidariedade dos companheiros e grupos de Portugal: Jorge Colaço, Manuel Baptista e do coletivo de A Batalha; da Espanha: Pascual González, Mariangeles, Hortência, Jesus, a CNT, a Fundação Anselmo Lorenzo e o grupo Tierra y Libertad; e da França: a CNT da Rua Vignoles, em especial a Frank Mintz, pelo apoio financeiro e de propaganda dado à nossa organização em seus boletins e revistas.

 

2004

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