Anarquismo na Prática e Perspectivas 2008

Anarquismo na Prática e Perspectivas 2008

Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)

A FARJ trabalhou até fins de 2007 com duas frentes: a frente de ocupações e a frente comunitária. A partir de 2008 criou a terceira: a frente agroecológica. Abaixo estão os relatos das principais atividades de cada frente e as perspectivas para o ano de 2008.

PROJETOS E ATIVIDADES DA FRENTE DE OCUPAÇÕES

Esta frente está envolvida no trabalho com as ocupações urbanas, que no Brasil possuem um caráter um pouco diferente de outros lugares do mundo. Aqui as ocupações são feitas por pessoas pobres, que estão sofrendo violência policial e/ou do tráfico de drogas nas favelas ou ainda vivendo sob as pontes e elevados, uma situação muito comum nos grandes centros brasileiros. As famílias que não têm onde morar terminam ocupando espaços que não estão sendo utilizados, dando um fim social a eles.

Hoje, esta frente possui trabalho com cinco ocupações urbanas, fruto de um trabalho que existe desde 2003 – de maneira mais organizada e como frente da organização – isso porque já tínhamos tido experiências com o trabalho em ocupações urbanas nos fins da década de 1990.

Estivemos militando dentro da Frente Internacionalista dos Sem Teto (FIST), que criamos com outros companheiros e que chegou a ter 11 ocupações. No entanto, recentemente saímos da FIST e estamos agora atuando diretamente (FARJ-ocupações) com as ocupações que tinham mais receptividade com as idéias e práticas libertárias. Ganhamos bastante reconhecimento neste trabalho, tanto das ocupações quanto dos movimentos sociais do Rio de Janeiro.

Para este trabalho, temos uma participação cotidiana nas ocupações (algumas delas tiveram/têm militantes da organização que são residentes); trabalhamos com auxílio na parte de organização; e, nas assembléias, estimulamos a auto-organização, ação direta, democracia direta, etc. Também buscamos conectar as ocupações e outros movimentos sociais no Rio de Janeiro.

Temos relações com o Conselho Popular (uma coordenação de movimentos sociais); participamos em 2007 da ocupação da Agência Nacional do Petróleo (ANP) com outros movimentos sociais e temos militantes em contato com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), inclusive com um deles dando cursos de formação na escola Florestan Fernandes (no estado de São Paulo) e também aqui no Rio de Janeiro.

Para atender a uma demanda importante, encabeçamos um projeto “transversal”, no qual se inseriram todas as frentes, que se chama Universidade Popular. Tal proposta desdobrou-se, de fato, em uma iniciativa de educação popular anticapitalista, voltada para a transformação da sociedade, tendo como tática a formação política no seio dos movimentos populares.

PROJETOS E ATIVIDADES DA FRENTE COMUNITÁRIA

Esta frente é responsável pela gestão de nossa Biblioteca Social Fábio Luz (BSFL), que existe desde 2001, e possui mais de 1000 livros sobre anarquismo e muitos outros de temática variada. Lá, há um arquivo muito grande de publicações anarquistas contemporâneas do mundo todo.

Essa frente também é responsável pela gestão do Centro de Cultura Social do Rio de Janeiro (CCS-RJ), um espaço social aberto que mantemos na zona norte da cidade e que agrega uma série de atividades: um trabalho de reciclagem que é feito por um companheiro que produz cadeiras, sofás, objetos de arte, etc. com objetos arrecadados do lixo; reforço escolar e preparação para a entrada na universidade, feitas para os jovens carentes da comunidade do Morro dos Macacos, oficinas de teatro, eventos culturais, comemorações e reuniões de diversos tipos.

No âmbito da BSFL funciona o Núcleo de Pesquisa Marques da Costa (NPMC) que, fundado em 2004, tem o objetivo de produzir teoria para a organização, além de pesquisar a história do anarquismo no Rio de Janeiro.

Também temos uma “instância pública” que é o CELIP, não está muito ativa no momento, mas que tem o objetivo de realizar palestras e debates para aproximar novos interessados em anarquismo.

PROJETOS E ATIVIDADES DA FRENTE AGROECOLÓGICA

Esta é nossa mais recente frente que acaba de ser criada, tendo sido formada a partir do Núcleo de Alimentação e Saúde Germinal, criado em 2005. O Germinal é um grupo autogerido, preocupado com as questões de alimentação e ecologia, que tem por objetivo apoiar experiências de agricultura já existentes e estimular o surgimento de novas, sempre a partir de uma perspectiva libertária.

Para tanto, estrutura-se em torno do espaço Ay Carmela! e de Oficinas Pedagógicas, atuando na consolidação e no resgate da agricultura, da agroecologia, da ecologia social, da ecoalfabetização e da economia solidária, voltadas estas para trabalhadores, militantes dos movimentos sociais e estudantes. Realiza também os Almoços Dançantes Vegetarianos, que acontecem periodicamente, no próprio CCS-RJ.

Constituindo-se como nossa terceira frente, ela buscará agora definir suas atividades prioritárias, espaços de inserção, etc. Esperamos ter novos e bons frutos com a criação desta nova frente.

OUTROS PROJETOS E ATIVIDADES

Há ainda outras questões que dizem respeito a toda a organização (não a uma frente especificamente), como por exemplo as publicações. Editamos o periódico Libera; a revista Protesta! (juntamente com os companheiros de São Paulo do Coletivo Anarquista Terra Livre); e livros como O Anarquismo Social de Frank Mintz, O Anarquismo Hoje da União Regional Rhone-Alpes e Ricardo Flores Magón de Diego Abad de Santillán.

Estamos tendo um trabalho interno de nivelamento e preparação teórica dos militantes no que diz respeito à formação. Também estamos retrabalhando nossas relações externas. Enfim, há muitas coisas.

PERSPECTIVAS PARA 2008

Nós nos consideramos uma organização revolucionária, por isso, nosso norte (objetivo de longo prazo) é a revolução social e a construção do socialismo libertário.

Os objetivos para este ano de 2008 (curto prazo) são: continuar o trabalho nas ocupações e fortalecê-lo, trabalhar com formação política nas ocupações no âmbito do projeto da Universidade Popular, manter relações com e integrar outros movimentos sociais do Rio de Janeiro; manter o CCS-RJ, a Biblioteca Social Fábio Luz, repensar/aumentar os trabalhos dentro do CCS-RJ, montar a cooperativa da Faísca Publicações no CCS-RJ, consolidar os trabalhos da frente agroecológica, buscar outros espaços de atuação, conseguir mais militantes para a organização, continuar a formação interna, as relações externas e as publicações. Em linhas muito gerais é isso.

* Trecho de “Entrevista com a Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)”, por Thierry Libertad. Pode ser lida na íntegra em: http://www.divergences.be/spip.php?article876

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