Supremacia Branca & Antirracismo – Federación Anarquista Rosa Negra

Original em http://www.blackrosefed.org/points-of-unity/white-supremacy-anti-racism/

Historicamente, a supremacia branca tem se desenvolvido de forma entrelaçada com o capitalismo e reproduzida em todas as relações sociais, sendo praticada por todas as instituições em diferentes níveis. O Estados Unidos desenvolveu um sistema capitalista construído sobre a dominação racial de povos oprimidos, colonizados, escravizados e despejados, que hoje se manifesta como um conjunto de complexas relações sociais hierárquicas dentro da sociedade. A própria branquitude foi desenvolvida através dessa longa história de opressão como uma ferramenta para justificar o amplo roubo de terras e recursos, a exploração desumana do trabalho e destruição das sociedades das quais foram violentamente arrancados. As ideologias e políticas racistas se desenvolvem continuamente não só para justificar as injustiças e horrores perpetrados; mas também com a intenção de debilitar o potencial de solidariedade inter-racial entre as classes populares contra a dominação e exploração comum que enfrentam. A aliança entre a classe trabalhadora branca e a elite branca, construída historicamente e conservada socialmente,é um fator chave na manutenção da supremacia branca e é uma forma de evitar que a classe trabalhadora, em seu conjunto, se organize coletivamente para alcançar seus interesses gerais e da humanidade.

Rejeitamos uma concepção reducionista de classe que ignora as formas específicas nas quais a opressão de classe faz diferença entre as experiências de pessoas oprimidas racialmente e as pessoas brancas, apesar das coisas que têm em comum. Também rejeitamos a posição reducionista de raça que ignora a forma que classe, gênero, sexualidade e outros tipos de opressão diferenciam as experiências e as diversas formas como a opressão racial se manifesta na vida cotidiana das pessoas. Enquanto a estrutura e a realidade geral da supremacia branca segue vigente, também vemos a emergência de uma classe dominante altamente globalizada e multirracial. Ante isto, vemos a necessidade de um pensamento e uma prática nova e mais profunda, com uma perspectiva revolucionária que vá mais além do binarismo racial branco e negro. Reconhecemos a relevância das reflexões e contribuições das teorias e movimentos baseados na identidade. Porém, rechaçamos as interpretações e tendências individualistas baseadas na culpa que muitas vezes encontramos no ativismo antirracista. Reconhecemos a necessidade de um desmanche completo das estruturas hierárquicas capitalistas sobre as quais a supremacia branca se constrói.

Acreditamos que, nos Estados Unidos, raça, classe e outras formas de opressão estão intrinsicamente conectadas, interagindo entre si, e afetam grupos diferentes de pessoas de maneiras distintas. Reconhecemos que hárelações sociais historicamente complexas entre e dentro de comunidades negras e não assumimos que haja uma solidariedade racial inerente ou inevitável entre as pessoas negras. Estas atuais divisões, hierarquias e preconceitos em evolução entre pessoas racialmente oprimidas foram promovidas pelo sistema de supremacia branca e são fundamentais para seu funcionamento geral. Além de que, a larga história de traições, falta de respeito, hostilidade e opressão conscientemente realizada por parte de brancos da classe trabalhadora contra pessoas racialmente oprimidas reafirma nosso respeito e apoio a negros e negras que desejam lutar autonomamente. Porém, nosso apoio àautodeterminação nunca será um apoio transigente, meramente simbólico, paternalista ou cego, que justifique e respalde qualquer ação de formação autônomas baseadas na raça; essas ações devem ser apoiadas a partir de lutas e princípios comuns, vinculados ao respeito, humildade e num grau de consideração nas áreas nas quais um não é diretamente afetado. Acreditamos que a experimentação é necessária para desenvolver ferramentas e práticas que vão contribuir pro desenvolvimento de um movimento multirracial genuíno da classe trabalhadora nos Estados Unidos. Acreditamos que construir este movimento é tarefa de todas e todas revolucionários/as antirracistas, antiestatistas e anticapitalistas sérios.

Tradução: FARJ

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