Conclusão e Apontamentos

PARTE 16 – Conclusão e Apontamentos
Parte 16/16 de “Anarquismo Social e Organização”

O I Congresso cumpriu completamente seus objetivos, realizando-se em clima de grande solidariedade entre os militantes. Proporcionou o devido espaço para reflexões, comentários, debates e conclusões. As avaliações de todos os militantes foram bastante positivas.

ANARQUISMO SOCIAL E ORGANIZAÇÃO
CONCLUSÃO E APONTAMENTOS

Ao trabalho companheiros! A tarefa é grande. Ao trabalho, todos!

Errico Malatesta

O I Congresso cumpriu completamente seus objetivos, realizando-se em clima de grande solidariedade entre os militantes. Proporcionou o devido espaço para reflexões, comentários, debates e conclusões. As avaliações de todos os militantes foram bastante positivas.

Foi ressaltada a importância de haver uma geração de militantes mais velhos e experientes na organização, que foram (e são) fundamentais para que o conhecimento militante das gerações anteriores não se perdesse e para a formação e orientação da nova geração. À “velha guarda” o Congresso prestou toda homenagem. À “nova guarda”, o Congresso também saudou, visto que vem auxiliando colocar em prática o que os mais velhos sempre defenderam. Os militantes da organização que estão na luta desde os anos 1970, 1980, e 1990 ressaltaram a importância deste momento, que pontua a continuidade de uma militância que, para nós, tem início desde Juan Perez Bouzas, passa por toda a história de luta de Ideal Peres, pelo Círculo de Estudos Libertários (CEL), que depois se transformou em Círculo de Estudos Libertários Ideal Peres (CELIP), e que, em 2003, constituiu-se na FARJ. Julgamos estar colocando em prática as aspirações dos diversos personagens desta história, aos quais acreditamos estar dando a devida continuidade.

Neste momento, o objetivo é continuar na busca pelo vetor social do anarquismo. Colocar o anarquismo em contato com os movimentos sociais, buscar a criação da organização popular. Isso estamos tentando fazer por meio de nossas três frentes.

A frente de movimentos sociais urbanos (nossa antiga frente de ocupações) vem realizando um trabalho permanente com as ocupações urbanas do Rio de Janeiro desde 2003, e dando continuidade às experiências que tivemos com o movimento sem-teto ainda na década de 1990. Esta frente encampa também, neste momento, a reconstrução do Movimento de Trabalhadores Desempregados do Rio de Janeiro (MTD), que luta pelo trabalho em todo o país, e existe no Rio de Janeiro desde 2001. O MTD retoma sua força agora se rearticulando e nucleando pessoas das comunidades carentes para a luta. Além disso, esta frente possui relações com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), para o qual vem oferecendo, em São Paulo e no Rio de Janeiro, cursos de formação política. A frente está próxima e realiza atividades, também, com outras entidades e movimentos sociais como Assembléia Popular (RJ) e a Frente Internacionalista dos Sem-Teto (FIST).

A frente comunitária é responsável pela gestão do Centro Cultura Social do Rio de Janeiro (CCS-RJ), um espaço social aberto, que mantemos na zona norte da cidade e que agrega uma série de atividades comunitárias de reciclagem de lixo, reforço escolar e cursinho pré-vestibular para a comunidade carente do Morro dos Macacos, oficinas de teatro, eventos culturais, comemorações e reuniões de diversos tipos. Esta frente é também é responsável pela gestão da Biblioteca Social Fábio Luz (BSFL), que existe desde 2001 e, no âmbito da qual funciona o Núcleo de Pesquisa Marques da Costa (NPMC) que, fundado em 2004, tem o objetivo de produzir teoria para a organização, além de pesquisar a história do anarquismo no Rio de Janeiro. Além disso, a frente comunitária administra o CELIP, espaço público da FARJ que tem o objetivo de realizar palestras e debates para aproximar novos interessados em anarquismo.

A frente agroecológica, chamada Anarquismo e Natureza, atua em movimentos sociais rurais e agrupamentos que trabalham com agricultura e ecologia social. Ela possui contatos e trabalho com o MST, a Via Campesina e espaços como a Cooperativa Floreal e o Núcleo de Alimentação e Saúde Germinal. Realiza oficinas pedagógicas em ocupações, escolas e comunidades pobres. Tudo isso, com o objetivo de resgatar a agricultura, a agroecologia, a ecologia social, a ecoalfabetização e a economia solidária. Busca envolver em suas atividades trabalhadores, militantes dos movimentos sociais e estudantes.

Para atender a uma demanda importante, encabeçamos um projeto “transversal”, no qual se inseriram todas as frentes, que se chama Universidade Popular (RJ). Tal proposta desdobrou-se, de fato, em uma iniciativa de educação popular anticapitalista, voltada para a transformação da sociedade, tendo como tática a formação política no seio dos movimentos sociais. Outros trabalhos “transversais” também vêm sendo realizados como a edição do periódico Libera; da revista Protesta!O Anarquismo Social de Frank Mintz, O Anarquismo Hoje da União Regional Rhone-Alpes e Ricardo Flores Magón de Diego Abad de Santillán. Finalmente há trabalhos internos de formação política, relações, gestão de recursos, entre outros. (juntamente com os companheiros de São Paulo do Coletivo Anarquista Terra Livre); e livros como

Há trabalho sendo realizado, e muito trabalho por realizar. E, realmente, como outrora dizia Malatesta, a tarefa é grande. Saber que há muita coisa a ser feita e conhecer a grandiosidade de nosso projeto de transformação social, muito ao invés de nos desmotivar, vem sendo um combustível cada vez maior que nos motiva e nos leva, dia após dia, a esta tarefa que é tão urgente realizar.

Esperamos que esta breve contribuição teórica possa auxiliar na construção de um anarquismo militante, nas mais diversas localidades.

Pelo anarquismo social!
Pela retomada do vetor social do anarquismo!
Revolução social e socialismo libertário!

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