Manifesto contra a prisão de companheiros/as do DF!

Manifesto contra a prisão de companheiros/as do DF!

Por Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)

Urge a liberação das sete mulheres e três rapazes pres@s indevidamente no Distrito Federal no dia 10 de outubro, sem acusação substancial e, sordidamente, sem direito a habeas corpos. Movimentos políticos que buscam vitalizar os espaços urbanos inutilizados, abandonados, sujos e sem dono (endividados), atribuindo-lhes uma função social, que talvez nunca tenham experimentado, são agora acusados de um tipo novo de crime: do tipo não previsto em lei. Tanto é assim, que a polícia levou muito mais tempo para entrar em acordo sobre qual era a acusação, do que para retirar dez jovens desarmados do prédio de três andares na W3 Sul, área comercial de Brasília.

Após buscar, em vão, pretextos para acusá-los de tráfico de drogas, roubo de luz e água (cujas contas foram finalmente pagas), e até de prostituição, inventaram que noss@s companheir@s deviam ser pres@s por formação de quadrilha, especializada na ocupação de prédios abandonados. A criminalização das questões políticas e sociais põe em evidência a mentira do discurso liberal de que vivemos em um país democrático, mas que, na verdade, carrega consigo mais de 500 anos de escravidão. E é na subserviência da força policial que vemos a perfeita reprodução dos capitães do mato de tempos atrás, porque para eles não é preciso lei, basta saber quem manda.

A Casa das Pombas, como foi batizada esta ocupação cultural e social, floresceu no Distrito Federal no dia 07 de setembro do corrente ano. Começou então a ser limpa, pintada, reunindo grande número de pessoas, grupos políticos e sociais de tendências autônomas, libertárias e anarquistas. @s jovens que ocuparam aquele espaço entulhado, sujo, já podiam nele residir e sonhar com todas as atividades que poderiam beneficiar a cidade e seus moradores. Eram inúmeras as idéias, e muita disposição; não havia barreiras para não realizá-las.

A imprensa burguesa, entretanto, conseguiu ser ainda mais cara-de-pau que a própria polícia; quis dar a entender para grande número de telespectadores que @s jovens praticavam todo tipo de ação indevida. Apesar da tímida cautela nas declarações policiais à imprensa, os jornalistas ficaram logo excitados na divulgação das acusações mais esdrúxulas, fantasiosas e sensacionalistas, demonstrando que o jornalismo brasileiro, comprometido com politicagens e interesses econômicos, está na ponta em matéria de fabricar mentiras, podendo concorrer, neste quesito, a prêmios internacionais entre os grandes finalistas.

A Casa das Pombas não acabou, e a prisão de noss@s companheir@s tocou fundo na nossa indignação. De cada companheir@ pres@ haverá dez mais amanhã, na luta e nas ruas, e depois mais cem, e assim um dia, seremos muitos e muitas, e não vai haver lugar nem para mentiras, nem para mentirosos!!

Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)
Outubro de 2007

Email:: farj@riseup.net
URL:: http://www.farj.org

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