Comunicado sobre a Federação Anarquista Informal – Frank Mintz

Comunicado sobre a Federação Anarquista Informal – Frank Mintz

Subscrevemos a excelente e lúcida análise, organizada por Frank Mintz, recorrendo as diferentes opiniões de companheiros anarquistas sobre a Federação Anarquista Informal e suas recentes ações.

FAI Federação Anarquista Informal célula revolucionária Lambros Fountas

A 23 de dezembro de 2010 duas bombas causaram destroços e dois feridos nas embaixadas do Chile e da Suiça em Roma e foi encontrado um texto.  A imprensa reproduziu a seguinte parte : “Decidimos alçar a voz com  palavras e ações. Destruamos o sistema de dominação. Viva a FAI, viva a Anarquia ! Assinado: Federazione Anarchica Informale célula  revolucionaria Lambros Fountas.

Outros atentados do mesmo tipo reivindicados pela FAI já haviam acontecido na Itália, em 2003.

Três advertências parecem-me necessárias, embora sejam evidentes e repetitivas.

Ter como objetivos as representações diplomáticas de certos países é depender dos meios de comunicação e, portanto, das distorções que estes impõem. Quando não de dispõe da possibilidade de pressionar ditos países através de um boicote de estivadores, caminhoneiros, ou de um chamamento aos consumidores, etc., ou se trate de uma ação de assalariados e cidadãos, o atentado simbólico é uma compensação.

O recurso a uma tecnologia muito particular, como a miniaturização de certos explosivos e sua adaptação aos envios postais, gera uma dependência dos fornecedores e dos formadores. E está é vinculada a setores intimamente envolvidos com forças repressivas e militares, cuja ajuda é flexível e instável, como o demonstraram os exemplos dos grupos armados clandestinos dos anos de 1980, RAF alemã, Brigade Rosse italianas, etc.

Pregar determinada ideologia com atentados acarreta responsabilizar de modo automático (ou seja, autoritário) aos grupos e tendências afins, ou, inclusive pode constituir um pretexto para ações repressivas estatais. A atitude honesta e lógica é sempre acudir à decisão de um grupo (local, profissional, social, etc.) que deve se ater a um critério já enunciado por Kropotkin em 1905: “todo ato terrorista se mede por seus resultados e pelas impressões que produz. Esta observação pode servir de critério para distinguir os atos que ajudam à revolução e os que resultam ser uma perda inútil de força e de vidas humanas. A primeira condição, de importância vital, consiste em que os atentados de um terrorista sejam compreensíveis para todos, sem longas explicações nem um complicado motivo […] Se para compreender um ato o homem comum, que não é militante, tem que se esforçar muito, a  influência desse ato resulta nula ou inclusive negativa. O ato de protesto se torna então para as massas num crime incompreensível”.

(http://www.fondation-besnard.org/article.php3?id_article=798).

Entre o material disponível sobre a FAI célula revolucionaria Lambros Fountas em Indymedia em italiano e em búlgaro,  escolhi algumas reações que entendo sintetizarem perfeitamente as
vacilações e nossas interrogações.

“Por que sentem alguns a necessidade de assinar as ações? Por que se sente a necessidade de declarar a pertença política a tal ou qual facção política quando não é absolutamente necessário? Serve por um acaso para denunciar as violências contra os imigrantes dizer que sou anarquista, ou marxista-leninista, ou cato comunista !… Um fato é um fato, e não serve colocar um carimbo ! Além disso, o carimbo é perigoso porque incrementa a repressão sobre os outros companheiros”. (Indymedia Italia, 17.12.10 sobre a FAI de 2003 e um processo em curso).

“A Comissão de Correspondência da Federação Anarquista Italiana, com referência a aparição de uma espectral “FAI (Federazione Anarchica Informale)” que haveria reivindicado as explosões (nas duas embaixadas..), reitera sua condenação a bombas e artefatos explosivos, que podem matar e ferir pessoas indiscriminadamente, e parecem portanto funcionais com respeito à lógica da provocação e da criminalização midiática da dissidência, numa fase em que os anarquistas estão entre os protagonistas das lutas sociais, greves e iniciativas contra a guerra” (28.12.2010).

Declaração (vinda da Grécia) dos três presos membros de Luta Revolucionária em relação aos ataques a embaixadas em Roma (Bulgária.indymedia, 29.12.2010) “Sobre as bombas, que foram enviadas às embaixadas de Chile e Suíça, sediadas em Roma, em 23.12.2010, com o resultado de dois trabalhadores feridos, cuja responsabilidade toma a FAI célula revolucionária Lambros Fountas, temos que dizer o seguinte: enquanto luta revolucionária, nós sempre escolhemos realizar nossas ações com um objetivo político. Nós sempre procuramos nos estatutos, nas estruturas o que nos representa e nos protege. Organizamos as nossas ações de modo a evitar vítimas, porque não está em nossos objetivos e nunca realizamos ações que possam provocar danos, por exemplo, a  trabalhadores de embaixadas, como aconteceu com as bombas já mencionadas.

Este foi sempre o princípio de nossas ações para cada um de nós e, com certeza, para nosso falecido companheiro Lambros Fountas. Por este motivo pedimos que não se realizem ações como as de Roma em nome de nosso companheiro”. Pola Ropa, Niko Maziotis, Kosta Gurnas.

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