Nota de solidariedade à Federação Anarquista Gaúcha, ao Instituto Parrhesia e a Ocupação Pandorga

Posted on 05/11/2017

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Viemos a público manifestar nossa solidariedade à Ocupação Pandorga, com o Instituto Parrhesia Erga Omnes e a Federação Anarquista Gaúcha, grupos que atuam no Rio Grande do Sul e foram alvo da operação policial “Érebo” semana passada.

Essa operação foi construída em conjunto com a Rede Globo, que ao que tudo indica coletava informações, com o nítido intuito de criminalizá-los e com evidentes informações privilegiadas junto à investigação policial. Neste último domingo, a Globo apresentou a cobertura da operação juntamente com uma matéria que visou relacionar o anarquismo ao terrorismo.

Como “provas” contra os grupos, a Polícia Civil apresentou livros, cartazes, faixas, máscaras e garrafas PET de plástico com lixo compactado, prática comum de reciclagem. Segundo ela, estas seriam usadas para fabricação de coquetel-molotov. É inaceitável que lutadores sociais continuem sendo perseguidos e criminalizados, mas do Estado e da mídia corporativa não esperamos nada mais que este tipo de prática.

Lembramos que essa perseguição não é novidade: a história do Brasil é repleta de casos de brutal repressão àqueles que lutam por uma vida digna e pela garantia de seus direitos sociais.

Nos últimos anos, vimos a própria FAG sofrer com invasões policiais em sua sede em 2014, no Rio temos 23 companheiras e companheiros sendo processados, e também em SP, POA, Goiânia e diversos locais do país. A classe dominante tenta à partir de um “acerto de contas” com o passado de 2013, criminalizar os/as que lutam e criar um discurso que trate a rebeldia, um fenômeno social fruto das próprias contradições do sistema capitalista, como crime e terrorismo.

Soma-se a tudo isso, as condenações racistas que atormentaram Rafael Braga, que sofre até hoje como bode-expiatório das manifestações de 2013 sem nunca ter participado de alguma, em duas prisões forjadas, uma em 2013 e outra em 2017, escancarando a face racista e classista da justiça burguesa.

Ainda, os recentes assassinatos de militantes de movimentos camponeses nos mostram que as forças repressivas não tem limites quando o interesse dos poderosos fala mais alto.

É importante lembrar que passamos por um momento onde diversos direitos estão ameaçados, com a aprovação da Reforma Trabalhista e a tentativa de uma Reforma da Previdência, além de inúmeras políticas de austeridade e retrocessos políticos de maneira generalizada.

O objetivo dessas ações é, indubitavelmente, intimidar os setores da esquerda que não irão aceitar esses ataques e esta repressão, agora está coberta com a lei anti-terrorismo aprovada pelo último governo petista.

No entanto, não iremos nos intimidar. Continuaremos na luta por uma sociedade sem classes e livre das diferentes formas de dominação e opressão. É atuando ombro a ombro com sindicatos, movimentos populares, camponeses e estudantis, que construiremos os germes do poder popular, resistindo aos ataques aos nossos direitos e aos braços repressivos das forças político-policiais.

Anarquismo não é crime! 

Anarquismo é luta, nas greves, piquetes e ocupações!

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