Sobre o massacre em Orlando

Posted on 28/06/2016

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Reafirmamos nossa solidariedade aos parentes das vítimas do massacre homofóbico em Orlando (EUA), que teve como alvo a população LGBTTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) e deixou mais de 50 mortos e dezenas de feridos. Cabe reafirmar que no dia do massacre, o clube Pulse, frequentado pela comunidade latina norte-americana, receberia uma show de performance trans. Mescla-se aí um ódio contra os setores mais oprimidos da sociedade.

Esse massacre é fruto de setores conservadores internacionais que vem cada vez mais se reafirmando, com a atuação de determinados grupos religiosos, organizações de extrema-direita, lideranças políticas e algumas camadas da população. Na mesma semana em que ocorreu o massacre dois professores foram mortos e carbonizados na cidade em Santaluz (Bahia) por motivação homofóbica. Essas barbáries demonstram como a população LGBTTT vive insegura diante essa conjuntura. Para se ter ideia, o Brasil é o país onde mai se mata LGBTTT’s no mundo. Não houve nenhuma mudança significativa nos governo ditos “progressistas” e a bancada BBB (Boi, Bíblia e Bala) segue fazendo seu lobby conservador e reacionário, atacando os direitos mais fundamentais dessa população. Tendo como representantes aqui, o fascista Jair Bolsonaro e os religiosos Marco Feliciano e Silas Malafaia.

Sabemos que dentro da classe trabalhadora e suas organizações ainda existem valores reacionários e conservadores que precisamos certamente combater e que não podemos confiar apenas em mudanças institucionais para fazer avançar os valores de liberdade e socialismo que queremos construir. Urge reafirmar políticas de formação das/os de baixo para construir uma sociedade que garanta plenamente esses direitos sociais.

O massacre de Orlando não é fruto de uma “mente perturbada”, mas é o topo de uma longa cadeia de homofobia, machismo diário e transfobia que envolvem piadas, segregação, discursos de exclusão e reafirmação constante de valores heteronormativos que constroem uma cultura de opressão. O autor do massacre reivindicou o grupo de extrema-direita ISIS (ou Estado Islâmico) em uma ligação. Apesar de ter sido uma inspiração, foi a cultura do ódio, a homofobia, a transfobia e os valores conservadores da própria sociedade norte-americana que foram os verdadeiros RESPONSÁVEIS pelo massacre.

Que a comunidade LGBTTT continue se organizando e responda esses ataques com solidariedade, auto-defesa e rebeldia. Que o massacre de Orlando não seja apagado da nossa memória. Que Orlando seja o início de um nova revolta de Stonewall. Que a derrota do ISIS pelas revolucionárias e revolucionários curdas/os seja um exemplo para toda a esquerda!

Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)

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